Os Primeiros Estímulos para o Letramento

Para você, quando se inicia o processo de alfabetização e letramento? No Ensino Fundamental? Nos últimos anos da Educação Infantil?

Se ampliarmos a perspectiva, vamos descobrir que ele começa lá atrás, com estímulos na primeira infância, ainda na barriga materna. A partir do terceiro mês da gravidez, o aparelho auditivo já está formado e percebendo as primeiras vibrações e sons intrauterinos. Ao nascer, os estímulos continuam e o bebê passa a interagir diretamente com os adultos, diretamente com os cuidadores principais, com os quais vai gerando vínculos. Quanto mais palavras ele escuta, melhor. É escutando que se forma um repertório de sons, que vão ganhando sentido e permitindo a aquisição de um vocabulário para a criança.

Os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento da fala. Este é o período de maior desenvolvimento cerebral e de conexões neurais para as funções da linguagem, entre outras funções cognitivas e sensoriais de suma importância para o ser humano. Tornar estas ligações neurais fortes depende do estímulo.

O vocabulário e a oralidade dependem diretamente da quantidade e da qualidade do que se escuta.

Pesquisa realizada nos Estados Unidos (Todd e Hart, 1995) gravou por vários dias ininterruptos as conversações de famílias de diversas condições econômicas com seus filhos. Os pesquisadores perceberam que pais com maior escolaridade tendem a falar mais palavras por hora e, o mais importante, palavras que representavam incentivos e não repreensões. Perceberam também que os filhos reproduziam o padrão de fala dos seus pais, inclusive na duração das frases. Ao adquirir esta base, essas crianças tiveram melhores resultados nos primeiros anos de escolaridade e no processo de alfabetização.

Sons e palavras precisam fazer sentido para que a criança desenvolva sua consciência fonológica. E, segundo Magda Soares, uma das maiores especialistas em alfabetização e letramento do Brasil e do mundo, é esta consciência que permite o avanço das hipóteses mais iniciais do processo aos níveis mais avançados, consolidando-se através dos níveis de domínio ortográfico da escrita mais elaborado.

Disso tudo, podemos concluir que precisamos fundamentar na mente de toda a sociedade a importância básica de interagirmos com as crianças, contarmos histórias, conversarmos, sermos responsivos e positivos nas relações adulto-criança.

O futuro começa na primeira infância.

Rogério Morais
Diretor Executivo de Gestão Pedagógica da Secretaria de Educação do Recife desde 2013; Conselheiro Municipal de Educação; Professor da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP), da Universidade de Pernambuco (UPE); e Especialista em Gestão do Processo Educacional.

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