Ceará + Pernambuco: a fórmula do crescimento

No final do mês de março, o Movimento Todos pela Educação divulgou análises referentes ao nível de aprendizado dos estudantes da educação básica na última década (2007 a 2017), com base nos resultados da Prova Brasil, instrumento avaliativo do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica).

No Ensino Fundamental, houve avanços, principalmente nos Anos Iniciais. Já no Ensino Médio, tudo estacionado, praticamente uma “década perdida”. Apenas 3 em cada 10 estudantes terminam o 3º ano do Ensino Médio aprendendo o que deveriam aprender em Língua Portuguesa. Em Matemática, a situação é ainda pior: apenas 1 em cada 10 conclui a etapa com a proficiência adequada.

Isso nos faz refletir e buscar analisar o que houve de errado nesta última década e o que podemos fazer para evoluir (e de forma rápida).

Mesmo que a Educação seja um sistema complexo, que exige uma visão de longo prazo, é urgente provocar uma transformação para as gerações atuais. Assim, entendo que é preciso intervir nas duas “pontas” do processo – no início e no fim – se quisermos uma transformação mais acelerada.

Destaco, primeiro, a necessidade de continuarmos investindo em programas de alfabetização. As análises mostram também que nossos maiores avanços da década foram em Língua Portuguesa. Dobramos a proficiência nos quintos anos e nos nonos anos do Ensino Fundamental. A tendência mostra que a continuidade desse investimento tende a alcançar também o Ensino Médio.

Isto é o que ocorre hoje no Estado do Ceará. Muitos analistas da área já apontavam para o movimento de crescimento cearense, que há muito tempo lidera os resultados nos Anos Iniciais e agora também alcançou a liderança nos Anos Finais e se aproximou dos melhores no Ensino Médio.

Entretanto, não podemos esperar mais 10 anos para que a intervenção qualitativa no processo de alfabetização impacte no Ensino Médio.

Em segundo lugar, precisamos de ações diretas nesta etapa de ensino. E, para tanto, o grande exemplo para o país é o de Pernambuco. As escolas em tempo integral apresentam resultados acima da média e a adoção do modelo foi a política responsável pelo salto do Estado do 21º lugar para o 1º, ainda em 2015. Nesta última medição, em 2017, os Estados que se destacaram – Espírito Santo e Goiás – também adotaram o modelo de educação integral e comprovaram o sucesso desta estratégia.

Sendo assim, concluo que, para virarmos o jogo e transformarmos a Educação do país, o foco deve estar no equilíbrio entre o curto e o longo prazo e, principalmente, na continuidade das políticas públicas.

A fórmula é simples: Ceará + Pernambuco. Os resultados estão aí.

Rogério Morais
Diretor Executivo de Gestão Pedagógica da Secretaria de Educação do Recife desde 2013; Conselheiro Municipal de Educação; Professor da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP), da Universidade de Pernambuco (UPE); e Especialista em Gestão do Processo Educacional.

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