Os avanços do Nordeste na educação

O pernambucano Paulo Freire e o baiano Anísio Teixeira são dois dos maiores expoentes da educação brasileira. É difícil falar de educação e não citar um dos dois – afinal, suas obras marcaram profundamente o sistema educacional do Brasil. Parece que o Nordeste tem uma predisposição a dar bons exemplos ao país.

No último Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) divulgado, Teresina teve o melhor resultado dos Anos Iniciais e dos Anos Finais do Ensino Fundamental entre todas as capitais. Isto se configura como mais um feito que se soma a alguns êxitos e exemplos que a região vem apontando sistematicamente para o país.

Quando buscamos referências de práticas de alfabetização, por exemplo, não há como não citar e trazer como primeira lembrança o Ceará. A partir da experiência de Sobral, de forma articulada, esse Estado se transformou no maior case de sucesso em políticas de alfabetização, inspirando, depois, o programa Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). Não à toa, o Ceará tem hoje 82 das 100 melhores escolas públicas brasileiras, nos Anos Iniciais.

Nos Anos Finais, etapa onde todos os Estados e Capitais apresentam uma redução nos resultados e o país nunca bateu a meta, ainda não existe uma grande referência consolidada. No entanto, alguns destaques também são nordestinos. Além do resultado de Teresina, Recife é a capital que mais cresceu na última medição do Ideb. O investimento em robótica, raciocínio lógico e games vem criando uma escola diferente e mais significativa para os estudantes recifenses e aponta direções para o caminho a ser fortalecido.

Já no Ensino Médio, a maior referência é Pernambuco. O modelo de educação integral mais propalado no país começou neste Estado, que tem mais escolas integrais do que São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais juntos. Foi assim que ele saiu das últimas posições e se tornou 1oº lugar no Ideb do Ensino Médio, em 2015. No último resultado, em 2017, cresceu no indicador, mas foi ultrapassado por Estados que declaradamente se inspiraram no “modelo pernambucano”: Goiás, Espírito Santo e São Paulo.

Parece que a dureza da realidade e a determinação do nordestino faz, como se diz por aqui, um povo “arretado”, que vê no desafio uma inspiração para não se acomodar e construir alternativas para transformação da realidade local, contribuindo para toda a nação. Tenho um orgulho danado de fazer parte dessa história.


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Rogério Morais
Diretor Executivo de Gestão Pedagógica da Secretaria de Educação do Recife desde 2013; Conselheiro Municipal de Educação; Professor da Faculdade de Ciências da Administração de Pernambuco (FCAP), da Universidade de Pernambuco (UPE); e Especialista em Gestão do Processo Educacional.

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