Conheça os três usos práticos da Prova Brasil

Para você, o direito à educação, expresso na Constituição Federal de 1988,  ocorre apenas com a universalização do acesso ou quando de fato o aluno aprende o que deveria? Para o presidente do Inep, Francisco Soares, o direito à educação é o direito de aprender. Com  isso, foi preciso criar mecanismos para avaliar como está o aprendizado dos alunos.

chico“De acordo com Antônio Nóvoa, sociólogo português, aprender é tudo que nos une e que nos liberta. O que nos une é a cultura e o conhecimento nos liberta. Assim, mesmo que a ideia de aprendizado não possa ser reduzida à ideia de aprendizado cognitivo, é necessário que ele seja medido a partir de uma métrica comum. Além disso, os sistemas de avaliação são uma boa ferramenta para gestores e professores melhorarem a educação ”, lembra Soares.

Já falamos aqui no blog sobre os três pontos essenciais para se entender a Prova Brasil e para que ela serve. Porém, Soares agrupou em três grandes categorias os usos que a Prova Brasil pode ter para as escolas e para as redes de educação: o uso normativo, o pedagógico e o administrativo e gerencial.

Uso normativo

Segundo Francisco Soares, o uso normativo diz respeito a ter uma indicação clara se o que o aluno aprendeu está adequado ou não. “Perceba que não é passar ou não passar. Essa é uma ideia excludente”, explica.

“A maneira de olhar para os dados deve refletir os valores de uma visão democrática do processo de ensino e aprendizagem. Ao observarmos outros sistemas de medida, veremos que é possível se deparar com níveis de aprendizagem como o básico, o adequado – aprendeu o esperado – e o avançado – aprendeu além – e, no caso brasileiro, ainda é preciso se utilizar do conceito de insuficiente para aqueles que estão abaixo do nível básico, ou seja que não aprenderam nem o básico”, ressalta o presidente do Inep.

Para Soares, a escola deve ser vista pela porcentagem dos alunos em cada nível, e todos os alunos devem estar em algum lugar e serem considerados sem tirar uma média.

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Uso pedagógico

Saber quantos alunos estão em cada nível ainda não é suficiente para transformar a educação, segundo Soares. Para ele, é preciso entender o que os resultados estão falando. “A interpretação pedagógica da avaliação nos ajuda a entender e a poder agir nas dificuldades dos alunos”, afirma.

Para entender os resultados, é preciso antes ter claro o conceito de cada nomenclatura utilizada na Prova Brasil. Para Soares, as habilidades, que são conhecimentos específicos, se somam para resultar em uma competência, como a de leitura. “É preciso sair da proficiência, que é um número, para algo que é pedagógico e faz sentido para o professor”, explica.

A essência da interpretação pedagógica é que o item da prova e o aluno são posicionados na mesma escala, e por isso é possível identificar em qual nível ele está na escala e quais itens, geralmente os que possuem nível de dificuldade acima da posição do aluno, ele teria maior probabilidade de errar.

O segundo passo é utilizar os resultados para desenvolver projetos de intervenções pedagógicas necessárias para agir onde os alunos têm mais dificuldade. “Por exemplo, quem está no nível insuficiente precisa de recuperação. Já para os que estão no básico, seria interessante a escola ter uma proposta de reforço, pois os conhecimentos dos estudantes ainda é muito elementar. Para os alunos do adequado é preciso aprofundar o conteúdo. Já para os que estão no avançado, incentivar a participação em olimpíadas de matemática, português etc.”, detalha o professor.

Uso administrativo e gerencial

“Primeira coisa, se você entra nesta seara, são necessárias outras considerações além do cognitivo”, já adianta Soares.

O primeiro passo, é evitar a exclusão dispensando aqueles em via de repetência ou mesmo com dificuldades de aprendizagem no dia da avaliação. Esta estratégia fará com que os resultados na Prova Brasil não mostrem a realidade da educação no local e dificultem o planejamento de ações pedagógicas que poderiam fazer a diferença.

Soares defende ainda a inclusão de uma nova categoria, de excluídos, e que isto tenha peso na nota das escolas e das redes. Neste caso, o resultado da escola não seria observado por seu patamar, isto é, a médias dos últimos anos, e a melhoria, mas também o esforço das escolas, o quanto de fato ela contribuiu para o aprendizado dos alunos. “Eu acho que a gente precisa explicitar esse esforço para ter um diálogo mais razoável com o concreto. Por exemplo, escolas que selecionam seus alunos geralmente têm melhores resultados e o esforço da escola foi mínimo para que ela apresentasse aquele resultado”, justifica.

“Por isso, é preciso falar de resultado, mas também de esforço. Não podemos falar sobre o resultado como se fosse algo ruim. O aprendizado é um direito e deve estar registrado. Vivemos numa sociedade democrática, na qual o cidadão tem o direito de se manifestar e questionar o que não aprendeu,  mas  poderia ter aprendido”.

Qual destes usos da Prova Brasil você já fez? Você concorda que, além dos resultados, é preciso olhar o esforço empreendido pela escola naquele resultado? Deixe suas contribuições nos comentários.

Deborah Grajzer
Pedagoga e estudante de Relações Internacionais, adora viajar e conhecer outras culturas. Defensora dos direitos humanos e apaixonada pela educação, coleciona sonhos, lápis de colorir e diversas viagens ao redor do mundo.

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