Quem estuda o ensino médio à noite, aprende menos?

blog_aulanoturna

A resposta para essa pergunta é complexa, e envolve diversos fatores. Entender melhor o contexto de quem estuda no período noturno, em comparação ao período diurno, foi o objetivo de um estudo que buscou apontar, especificamente, eventuais diferenças sobre perfis de alunos dos dois turnos, distorção idade-série, rendimento, para que no futuro possa se pensar em políticas públicas adequadas. Essa preocupação se mostra relevante porque o Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, que prevê a ampliação e o estímulo ao Ensino Médio Diurno, não contempla uma política de âmbito federal que atue com essa visão.

A Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) pretende aumentar para 25% as matrículas de ensino integral na educação básica e para 50% o número de escolas que ofereçam essa modalidade até 2024. O Programa Ensino Médio Inovador (ProEmi), da mesma forma, atua no sentido de aumentar as escolas de período integral. Considerando a quantidade de alunos que estudam no período noturno e não serão beneficiadas por essas iniciativas, não seria razoável pensar também em políticas específicas para esses estudantes?

O relatório levanta estatísticas do ensino médio, com foco na comparação entre os períodos diurno e noturno. O resultados mostram que, por exemplo, para que as matrículas no período diurno aumentem proporcionalmente, deve haver um limite, e que os alunos do período noturno têm um perfil diferente daqueles do diurno, pois muitas vezes trabalham e estão impossibilitados de mudar seus horários de estudo.

Os dados utilizados para desenvolver o estudo são do Censo Escolar de 2010 a 2013, do SAEB de 2013 (Prova ANEB) e do Enem de 2009, e mostram que há diferenças significativas, principalmente no perfil dos alunos entre os turnos. Essas diferenças se refletem posteriormente tanto nas notas de exames quanto nas taxas de abandono.

Acesse o estudo completo aqui.

Isabel Opice
Possui graduação em Ciências Econômicas pela Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (2010).

Comentários

comentário(s)