Bom resultado na Prova Brasil significa ensino bom?

Ocimar Munhoz Alavarse
Professor da Feusp

A despeito da forte associação que tem sido feita entre qualidade de ensino e os resultados da Prova Brasil, inclusive com políticas de responsabilização docente, especialmente por conta de suas implicações no cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a resposta exige muita cautela. A começar pelos próprios resultados da Prova Brasil não discriminarem todos os alunos que dela participam e, não sem importância, tardarem muito a chegar nas escolas, lócus privilegiado do fazer educativo.

Se a qualidade do trabalho escolar, por um lado, não se confunde com desempenho – proficiência – em leitura e resolução de problemas que é possível mensurar com itens de múltipla escolha, pois outras competências devem ser objeto da ação escolar, por outro lado, estes objetos de avaliação não são, de forma alguma, estranhos ao processo escolar que se pretenda de qualidade; ao contrário, configuram-se como suporte para, praticamente, todos os outros componentes curriculares e por isso não poderiam ser ignorados na análise da situação de cada rede de ensino ou escola.

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Riscos e desafios

A associação entre resultados da Prova Brasil e qualidade tem como um risco o fato das escolas enveredarem por iniciativas didático-pedagógicas que gravitem exclusivamente em torno da matriz dessa prova e do tipo de instrumento utilizado, restringindo, portanto, as ações curriculares, ainda que tais elementos devam ser, também, apropriados pelos professores.

Diante desse quadro, o desafio para redes de ensino e escolas é articular, na via da avaliação institucional, um diálogo entre os resultados de suas práticas avaliativas com aqueles de avaliações externas, sempre tendo presente o sucesso de seus alunos. Para isso, dados como os da Prova Brasil podem contribuir na fixação de referências de outras escolas e redes, algo indispensável para um planejamento educacional adequado.

Ocimar Munhoz Alavarse
Estudou Engenharia Eletrônica na Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo, de 1978 a 1982. Licenciado em Pedagogia pela Universidade Federal de São Carlos-SP (1984). Mestre (2002) e Doutor (2007) em Educação pela Universidade de São Paulo. Trabalhou como Técnico de Desenvolvimento Profissional no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de São Paulo (Senac SP), de 1988 a 1994, e como Coordenador Pedagógico na Rede Municipal de Ensino de São Paulo, de 1995 a 2008. Atualmente é professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (Feusp), onde coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação Educacional (Gepave), investigando, principalmente, sobre os temas de ciclos, progressão continuada, gestão educacional e avaliação educacional.

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